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Hiper-realistas

Minhas naturezas-mortas são sempre rotuladas de hiper-realismo. Mas o traço principal do hiper-realismo sempre foi o uso de fotografias, tanto como meio de gravar os motivos da obra, substituindo a efêmera realidade, quanto como motivo em si mesmas.

Fotos que são, aliás, sempre bastante ampliadas, resultando em telas gigantescas. No meu caso, além de trabalhar com modelos “reais”, preocupo-me em manter as dimensões plausíveis dos mesmos. Além disso, busco uma atmosfera que se aproxima mais, a meu ver, do surrealismo. Os hiper-realistas nunca se preocuparam com atmosfera. E o hiper-realismo é mais conceitual. O fazer da obra carrega mais significado do que as imagens contidas na tela. Mas sem dúvida minha visão foi muito influenciada por aquelas telas de Richard Estes e Ralph Goings, e as esculturas de Duane Hanson e John de Andrea.

As primeiras manifestações do que viria a ser chamado hiper-realismo (em inglês, superrealism, ou photorealism) apareceram em meados da década de 1960, basicamente como uma reação ao expressionismo abstrato que dominava nas faculdades de arte e nas galerias, bem como na crítica da época. Audrey Flack, Malcom Morley, Robert Bechtle, Richard Estes, Chuck Close e John Salt (e outros que não ficaram conhecidos), cada um por alguma razão específica, isoladamente, começaram a pintar a partir de fotos com exatidão realística. A busca de uma visão neutra, impessoal, ultra objetiva; a busca de uma maior aproximação com o público; a mera reação ao dogma do expressionismo abstrato e a consequente revalorização do realismo – diversas razões os motivaram individualmente. Para alguns a fotografia se tornou o próprio motivo da pintura; para outros o motivo, como na tradição do realismo, continuava sendo a realidade, tendo a fotografia apenas como uma ferramenta para alcançar o realismo extremo, tirando proveito do caráter imparcial da imagem gravada mecanicamente pela câmera.

Alguns autores consideram o hiper-realismo uma ramificação da arte Pop, com a qual realmente compartilha algumas atitudes. De fato, sem o Pop não haveria hiper-realismo.

Audrey Flack, Shiva Blue, 1973, óleo e acrílico sobre tela, 89 x 127 cm

Audrey Flack, Marilyn or Vanitas, 1977, óleo e acrílico sobre tela, 244 x 244 cm

escultura de Duane Hanson

Duane Hanson, Supermarket Shoper, 1970, escultura em resina de poliéster e fibra de vidro pintada com óleo, com roupas, carrinho de aço e produtos de supermercado, tamanho natural. Nachfolgeinstitut, Neue Galerie, Sammlung Ludwig, Aachen

David Parish, óleo sobre tela

Richard Estes, óleo sobre tela

Ralph Goings, Miss Albany Diner, 1993, óleo sobre tela, 122 x 183 cm

Ralph Goings, Natureza-morta River Valley, 1976, óleo sobre tela, 60 x 86 cm

Pintura gigantesca do suisso Franz Gertsch, intitulada Marina maquiando Luciano, 1975

Chuck Close, Grande Auto Retrato, 1967-68, Acrílico sobre tela, 273 x 212 cm, Walker Art Center, Minneapolis

Um dos retratos de Chuck Close.

John DeAndrea, Seated Katie, 1996, escultura em vinil, tamanho natural

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