comentário
Hiper-realistas
Minhas naturezas-mortas são sempre rotuladas de hiper-realismo. Mas o traço principal do hiper-realismo sempre foi o uso de fotografias, tanto como meio de gravar os motivos da obra, substituindo a efêmera realidade, quanto como motivo em si mesmas.
Fotos que são, aliás, sempre bastante ampliadas, resultando em telas gigantescas. No meu caso, além de trabalhar com modelos “reais”, preocupo-me em manter as dimensões plausíveis dos mesmos. Além disso, busco uma atmosfera que se aproxima mais, a meu ver, do surrealismo. Os hiper-realistas nunca se preocuparam com atmosfera. E o hiper-realismo é mais conceitual. O fazer da obra carrega mais significado do que as imagens contidas na tela. Mas sem dúvida minha visão foi muito influenciada por aquelas telas de Richard Estes e Ralph Goings, e as esculturas de Duane Hanson e John de Andrea.
As primeiras manifestações do que viria a ser chamado hiper-realismo (em inglês, superrealism, ou photorealism) apareceram em meados da década de 1960, basicamente como uma reação ao expressionismo abstrato que dominava nas faculdades de arte e nas galerias, bem como na crítica da época. Audrey Flack, Malcom Morley, Robert Bechtle, Richard Estes, Chuck Close e John Salt (e outros que não ficaram conhecidos), cada um por alguma razão específica, isoladamente, começaram a pintar a partir de fotos com exatidão realística. A busca de uma visão neutra, impessoal, ultra objetiva; a busca de uma maior aproximação com o público; a mera reação ao dogma do expressionismo abstrato e a consequente revalorização do realismo – diversas razões os motivaram individualmente. Para alguns a fotografia se tornou o próprio motivo da pintura; para outros o motivo, como na tradição do realismo, continuava sendo a realidade, tendo a fotografia apenas como uma ferramenta para alcançar o realismo extremo, tirando proveito do caráter imparcial da imagem gravada mecanicamente pela câmera.
Alguns autores consideram o hiper-realismo uma ramificação da arte Pop, com a qual realmente compartilha algumas atitudes. De fato, sem o Pop não haveria hiper-realismo.










